terça-feira, 24 de maio de 2016

História do Islamismo

–O exército de crentes formado por Maomé pas­sou a atacar caravanas que se dirigiam a Meca, en­riquecendo e ampliando seu poder. As constantes vitórias fortaleceram a unidade do grupo e chama­ram a atenção de novas tribos, facilitando a expansão do islamismo. Maomé fundou, então, o Islão, um Estado teocrático, com sede na cidade de Iatrebe, que passou a ser chamada de Medina (Cidade do Profeta). Foi a partir dessa época que o termo islamita começou a designar a pessoa que vive no Islão e segue a religião islamita, e o termo muçulmano, a significar aquele que é fiel e se submete ao islamismo.
–Maomé foi o construtor da primeira mesquita, es­tabeleceu a cobrança do dízimo entre os crentes e es­creveu os princípios doutrinários do islamismo num livro chamado Corão. O Corão é considerado depo­sitário direto das palavras de Deus, ditadas a Maomé por um anjo. Seu credo, baseado na Lei Islâmica (Sharí’a) é constituído por seis normas básicas, co­nhecidas como os pilares do islamismo. São elas:
Shahada – a constante confissão de fé;
Salat – o culto através das preces, cinco vezes ao dia;
Zakat – os atos de caridade através da esmola e do dízimo;
Hadj – a peregrinação dos homens a Meca ao me­nos uma vez na vida;
Saum – o jejum no Ramadã (mês sagrado do ca­lendário muçulmano);
Jihad – a guerra santa.
–Apesar das regras básicas, com o passar do tem­po surgiram pequenas diferenças ritualísticas e interpretativas que sepa­raram os seguidores do islamismo em diversos grupos, sem, no entanto, quebrar sua unidade cultural e reli­giosa. Destacam-se, entre essas dife­rentes vertentes, dois grupos:
Sunitas (fiéis, à tradição);
Xiitas (seguidores de Ali).
Sunitas (fiéis, à tradição)
–Formam o grupo mais numeroso do islamismo nos dias de hoje. São aqueles que seguem a Sunnan, ou seja, a práti­ca do profeta. Segundo os sunitas, as palavras e os atos de Maomé devem ser seguidos durante toda a vida. Os muçulmanos sunitas ca­racterizam-se por sua moderação política e pelo forte senso comuni­tário.
Xiitas (seguidores de Ali)
–Surgiram após a morte do quarto califa (primo e genro de Maomé, chamado Ali). Após sua morte no ano de 656, teve início a divergên­cia que até hoje separa esse grupo dos sunitas. Os xiitas passaram a acreditar que somente os descen­dentes de Ali tinham o direito de dirigir a comunidade islâmica, pois Maomé teria revelado para ele os profundos segredos dos ver­sos do Corão, que desde então te­riam passado de um imã para ou­tro. O imã, divinizado pelos xiitas, é considerado infalível e portador da luz divina. Entre os xiitas, são comuns os rituais carregados de emoção e autoflagelação, pois con­sideram o sofrimento como bené­fico para a alma. Já para os sunitas, essa prática é inadmissível, sendo seus rituais e preces endereçados diretamente a Alá.
Após a morte de Maomé, em 632, o poder foi passado, sucessivamente, para quatro califas. Durante seus governos a expansão territorial foi muito rápida, e vastas áreas do Oriente Médio foram conquistadas e submetidas ao islamismo.

A maioria da população do Oriente Médio é islamita sunita, mas no Irã e no Iraque os xiitas são maioria (90% e 55%, respectivamente). Há duas exceções na região: Israel, onde mais de 80% da população é judia, e o Líbano, onde quase 40% são cristãos.
–Desde a formação do primeiro Estado islâmico por Maomé, a expansão territorial desses povos seguidores da religião islâmica não cessou. Observe no mapa acima.
–Após os quatro califas, teve início a Dinastia Omíada, que passou a controlar o poder islâmico e eleger os novos califas. O governo foi transferi­do para Damasco (atual Síria), e a expansão terri­torial continuou, sendo marcada pela invasão da Península Ibérica (711).
–No ano de 752, o poder islâmico, tomado pela Dinastia Absida, foi transferido para outra capital, Bagdá (no atual Iraque). A partir do século XI, os turcos da região do Casaquistão se converteram ao islamismo e se expandiram para o sul. Logo de­pois desenvolveu-se o Império Otomano, que, jun­tamente com os turcos, se expandiu para o oeste, ocupando a cidade de Constantinopla em 1453.
–A cidade de Constantinopla passou então a se chamar Istambul, tornando-se a nova capital islâmica e concentrando o poder nas mãos de um sul­tão otomano. Formou-se assim um dos maiores impérios desse período histórico, o Império Turco-Otomano, que só teria fim com a sua fragmenta­ção, após a Primeira Guerra Mundial (1918).
–Na segunda metade do século XX, em alguns países do Oriente Médio ocorreu a tentativa de re­duzir o poder dos grupos religiosos, restringindo sua prática e influência apenas à esfera privada. Tal política não teve sucesso, frente à reação dos movimentos fundamentalistas. Na década de 1970 ocorreu uma ampla adoção do fundamentalismo islâmico pelas massas urbanas, que apoiaram o Corão como lei e radicalizaram a exigência de res­peito aos valores tradicionais, opondo-se ao mo­delo ocidental de organização política, social e cul­tural. A Organização da Conferência Islâmica, que em 1971 reuniu 40 países, foi a base da internacio­nalização desse movimento.
–Dessa forma, na atualidade, quase todos os paí­ses do Oriente Médio têm o islamismo asso­ciado não apenas à vida cotidiana de suas popula­ções mas também à política do Estado. Em muitos deles, a religião determina diretamente a forma de organização do Direito público e privado.

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