O
exército de crentes formado por Maomé passou a atacar caravanas que se
dirigiam a Meca, enriquecendo e ampliando seu poder. As constantes vitórias
fortaleceram a unidade do grupo e chamaram a atenção de novas tribos,
facilitando a expansão do islamismo. Maomé fundou, então, o Islão, um
Estado teocrático, com sede na cidade de Iatrebe, que
passou a ser chamada de Medina (Cidade do Profeta). Foi a partir dessa época
que o termo islamita começou
a designar a pessoa que vive no Islão e segue a religião islamita, e o
termo muçulmano, a
significar aquele que é fiel e se submete ao islamismo.
Maomé
foi o construtor da primeira mesquita, estabeleceu a cobrança do dízimo entre
os crentes e escreveu os princípios doutrinários do islamismo num livro
chamado Corão. O
Corão é considerado depositário direto das palavras de Deus, ditadas a Maomé
por um anjo. Seu credo, baseado na Lei Islâmica (Sharí’a) é constituído por
seis normas básicas, conhecidas como os pilares
do
islamismo. São
elas:
Shahada –
a constante confissão de fé;
Salat –
o culto através das preces, cinco vezes ao dia;
Zakat –
os atos de caridade através da esmola e do dízimo;
Hadj –
a peregrinação dos homens a Meca ao menos uma vez na vida;
Saum –
o jejum no Ramadã (mês sagrado do calendário muçulmano);
Jihad –
a guerra santa.
Apesar
das regras básicas, com o passar do tempo surgiram pequenas diferenças
ritualísticas e interpretativas que separaram os seguidores do islamismo em
diversos grupos, sem, no entanto, quebrar sua unidade cultural e religiosa.
Destacam-se, entre essas diferentes vertentes, dois grupos:
Sunitas
(fiéis, à tradição);
Xiitas
(seguidores de Ali).
Sunitas (fiéis, à tradição)
Formam
o
grupo mais numeroso do islamismo nos dias de hoje. São aqueles que seguem a
Sunnan, ou seja, a prática do profeta. Segundo os sunitas, as palavras e os
atos de Maomé devem ser seguidos durante toda a vida. Os muçulmanos sunitas
caracterizam-se por sua moderação política e pelo forte senso comunitário.
Xiitas (seguidores de Ali)
Surgiram
após
a morte do quarto califa (primo e genro de Maomé, chamado Ali). Após sua morte
no ano de 656, teve início a divergência que até hoje separa esse grupo dos
sunitas. Os xiitas passaram a acreditar que somente os descendentes de Ali
tinham o direito de dirigir a comunidade islâmica, pois Maomé teria revelado
para ele os profundos segredos dos versos do Corão, que desde então teriam
passado de um imã para outro. O imã, divinizado pelos xiitas, é considerado
infalível e portador da luz divina. Entre os xiitas, são comuns os rituais
carregados de emoção e autoflagelação, pois consideram o sofrimento como
benéfico para a alma. Já para os sunitas, essa prática é inadmissível, sendo
seus rituais e preces endereçados diretamente a Alá.
Após a morte de Maomé, em 632, o
poder foi passado, sucessivamente, para quatro califas. Durante seus governos a
expansão territorial foi muito rápida, e vastas áreas do Oriente Médio foram
conquistadas e submetidas ao islamismo.
A
maioria da população do Oriente Médio é islamita sunita, mas no Irã e no Iraque
os xiitas são maioria (90% e 55%, respectivamente). Há duas exceções na região:
Israel, onde mais de 80% da população é judia, e o Líbano, onde quase 40% são
cristãos.
Desde
a formação do primeiro Estado islâmico por Maomé, a expansão territorial desses
povos seguidores da religião islâmica não cessou. Observe no mapa acima.
Após
os quatro califas, teve início a Dinastia Omíada, que passou a controlar o
poder islâmico e eleger os novos califas. O governo foi transferido para
Damasco (atual Síria), e a expansão territorial continuou, sendo marcada pela
invasão da Península Ibérica (711).
No
ano de 752, o poder islâmico, tomado pela Dinastia Absida, foi transferido para
outra capital, Bagdá (no atual Iraque). A partir do século XI, os turcos da
região do Casaquistão se converteram ao islamismo e se expandiram para o sul.
Logo depois desenvolveu-se o Império Otomano, que, juntamente com os turcos,
se expandiu para o oeste, ocupando a cidade de Constantinopla em 1453.
A cidade de Constantinopla passou
então a se chamar Istambul, tornando-se a nova capital islâmica e concentrando
o poder nas mãos de um sultão otomano. Formou-se assim um dos maiores impérios
desse período histórico, o Império Turco-Otomano, que só teria fim com a sua
fragmentação, após a Primeira Guerra Mundial (1918).
Na segunda metade do século XX, em
alguns países do Oriente Médio ocorreu a tentativa de reduzir o poder dos
grupos religiosos, restringindo sua prática e influência apenas à esfera
privada. Tal política não teve sucesso, frente à reação dos movimentos fundamentalistas.
Na década de 1970 ocorreu uma ampla adoção do fundamentalismo
islâmico pelas
massas urbanas, que apoiaram o Corão como lei e radicalizaram a exigência de
respeito aos valores tradicionais, opondo-se ao modelo ocidental de
organização política, social e cultural. A Organização da Conferência
Islâmica, que em 1971 reuniu 40 países, foi a base da internacionalização
desse movimento.
Dessa forma, na atualidade, quase
todos os países do Oriente Médio têm o islamismo associado não apenas à vida
cotidiana de suas populações mas também à política do Estado. Em muitos deles,
a religião determina diretamente a forma de organização do Direito público e
privado.



Nenhum comentário:
Postar um comentário